MARLI TAKEDA

textos

Cartografias
(2021)
Texto Nancy Betts

Quando olhamos o trabalho de Marli Takeda, na parede do Centro Educacional Pioneiro, a primeira sensação arrebatadora é de leveza.
A obra transita entre desenho e colagem. Começa com amplos gestos para traçar um percurso e depois vem o processo de adesivagem. É nesse momento que a artista convida pessoas para participar da construção do trabalho, e embora haja um trajeto, cada participante tem total liberdade de ação. No entanto, esta interação é fundamental e constitutiva, no processo criativo da artista, no que poderíamos chamar de uma construção em ato.
E como é feita a obra? Marli trabalha há algum tempo com resíduos de películas adesivas descartadas, sobras de algum processo comercial ou industrial. Com sutil sensibilidade e competência a artista reaproveita e ressignifica os pedaços informes, para transformá-los por meio da colagem, justaposições e sobreposições, em um visual estético. A experiência com o objeto estético nem sempre é entendida de imediato de forma analítica ou pela linguagem. A impressão que passa para cada observador varia de acordo com sua subjetividade, mas relatos atestam efeitos como uma renda esgarçada, um sopro, uma rajada de vento e até mesmo uma revoada de pássaros.
Uma combinação de formas, cores, texturas sedutoras lisas ou tácteis, diferentes padrões e módulos conjugados em espaços múltiplos, movimentos ora rápidos ora espaçados e acúmulos de matéria geram diferentes ritmos e temporalidade. Assim a obra nunca é monótona. O roteiro inclui na sua construção a associação de um conhecimento com o acaso, a incerteza, o inesperado, a improvisação e a interferência dos convidados que desviam a obra do projeto original. É uma Concebo o trabalho de Marli como uma narrativa ampliada. Fiel a teoria de Rosalind Krauss em “A escultura em campo expandido” de 1979. A obra toma toda a parede da entrada e de certo modo toda a escola. Sobe as escadas uma a uma, do primeiro ao último andar. Numa tarefa hercúlea dessa expansão deriva um procedimento que além de coerente, cria uma continuidade visual e identitária para a escola.
prática que se move num sentido além da pureza modernista para admitir uma lógica eclética e interativa perfeitamente aceita e condizente com nosso atual ambiente artístico e cultural.
Um outro fator inerente a obra é que ela é lúdica. Algumas das películas adesivas são felpudas, elas são mais raras. A percepção desse elemento poético acontece gradativamente, mas uma vez visualizadas as felpas exercem uma sedução que é quase impossível não querer tocá-las e sentir sua maciez
Agosto 2021

Nancy Betts
Professora Titular de História da Arte, nos cursos de Graduação e Pós-Graduação, na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), Membro do ICOM e Curadora Independente.
 
https://www.youtube.com/watch?v=n263tXy2V4c
Nancy Betts
Professora Titular de História da Arte, nos cursos de Graduação e Pós-Graduação, na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), Membro do ICOM e Curadora Independente.
 
Projeto O que aprendemos com a pandemia? (46) – Marli Takeda
(2021)
15/04/2021
Texto Oscar D'Ambrosio

Tecido felpudo de lã ou algodão, à semelhança da pelagem animal, as felpas evocam percepções de afeto, abraço, aconchego, carinho e conforto. Elas estão na obra “Abraço II”, da série “A permanência na impermanência”, de 2021, obra realizada com tinta acrílica, monotipia em películas adesivas de reaproveitamento e colagem por Marli Takeda. Em trabalhos anteriores, elas eram pintadas como forma de atrair o observador para ter a sensação tátil, como a maciez. Na atual série, a questão colocada é de pesquisar o material em si mesmo como uma possibilidade de explorar plástica e emocionalmente relações de delicadeza. A escolha de um material, portanto, como mostra o trabalho, constitui um elemento essencial para que seja atingido o resultado almejado. Cada escolha feita é um passo para a consecução de uma visão e intepretação da arte e do mundo.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/3463/projeto-o-que-aprendemos-com-a-pandemia?-46-?-marli-takeda
 
Oscar D’Ambrosio
Pílula visual - Entrelaçamentos Poéticos
(2020)
Texto Oscar D'Ambrosio
 
06/12/2020
Algumas figuras geométricas têm importância fundamental na história dos seres humanos. O círculo é uma delas. A sua presença de diversas maneiras nas obras de Marli Takeda (@marlitakeda.arte), expostas na Casa Tato (@#casatato), constitui um dado importante nas criações da artista. O reaproveitamento de adesivos se soma a felpas, tinta acrílica e monotipia sobre tecido misto para apresentar imagens em que as conexões entre estruturas circulares conduzem a um equilíbrio. Áreas cheias e vazias interagem para compor um todo sereno.  O processo é um amadurecimento lírico e aperfeiçoamento técnico em que se busca uma maior compreensão gradual do próprio processo para um desenvolvimento plástico cada vez maior. Nesse sentido, os líricos entrelaçamentos poéticos de materiais, por meio de formas circulares, aludem à coexistência da Humanidade rumo a uma civilização mais harmônica.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
 
https://oscardambrosio.com.br/textos/2407/pilula-visual-entrelacamentos-poeticos

 
 
 
Oscar D’Ambrosio
Pílula Visual - Conexões
(2020)
Texto Oscar D'Ambrosio

27/09/2020
Os caminhos da arte despertam fascínio justamente por não serem lineares e óbvios. De onde vem a magia da criação artística? Por mais estudos que sejam feitos, a indagação permanece. A obra de Marli Takeda que acompanha este post auxilia a pensar a questão sob diversos pontos de vista.
Por um lado, existe a força do instinto de expressar uma ideia. Ao lado dele, temos a racionalidade de dar a essa visão de mundo uma determinada forma. Essa mecânica, porém, é geralmente mais bem realizada quando se busca encontrar alternativas criativas constantemente renovadas.
Quanto mais a pesquisa dos processos criativos avança, mais cada artista tende a apresentar um trabalho de qualidade, entendendo-se esta como a capacidade de dar a uma manifestação visual uma interpretação plástica que dialogue com o espectador, atingindo a esfera dos arquétipos que residem em nosso inconsciente coletivo.
Na obra de Marli Takeda, temos a construção de um fundo que traz justamente esse clima do desconhecido. Pela reciclagem de materiais, no presente caso, sobras de adesivos, surgem as mais diversas formas que, colocadas sobre a tinta, geram aglomerações e caminhos visuais que fazem refletir sobre a existência humana, gerando conexões de cada pessoa com si mesma e de cada um com a sociedade e o ambiente que nos rodeia.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/2150/pilula-visual-conexoes

 
Oscar D’Ambrosio
As águas de cima voltam a se misturar com as de baixo
(2020)
15/08/2020
Texto Oscar D'Ambrosio

O trabalho de Marli Takeda com adesivos reciclados mostra uma progressiva transformação para o alcance de reflexões filosóficas sobre a arte.  Seja uma expressão da tristeza ou da alegria do existir ou mesmo a busca de uma representação mais próxima do que se entende como real, criar é interpretar um sentido para a vida.
Fuga da morte pelo desejo de ser perene ou ato mágico em si mesmo, fazer arte é se relacionar com o mundo. Nesse aspecto, Marli Takeda, em “As águas de cima voltam a se misturar com as de baixo” traz indagações sobre o fluir e o movimento. A predominância do branco e de tonalidades de azul transmitem uma atmosfera de harmonia e calmaria.
Existe o vermelho que alerta para a paixão da existência. É como se, em meio a um certo fluir e refluir da existência, houvesse pontos intensos, talvez de transformação, mas, acima de tudo, que demandam uma atenção especial. Há também outros instantes, como alguns em amarelo e dourado, que podem ser cruciais na interrupção do mover contínuo das águas da vida.
Se o filósofo grego Heráclito de Éfeso dizia que “O mesmo homem não se banhava no mesmo rio”, pois a pessoa e a água mudavam ao longo do tempo, a obra de Marli Takeda cria uma análoga relação visual, pois as águas visuais criadas pela artista têm efeito semelhante, renovando-se cada vez que as olhamos.  Afinal, a cada momento somos diferentes.
Esta obra faz parte da Coletânea do Projeto Dias de Reclusão.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
 
https://oscardambrosio.com.br/textos/1986/as-aguas-de-cima-voltam-a-se-misturar-com-as-de-baixo
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP.
Arte em tempo de Coronavírus (120)
(2020)
01/05/2020
Texto Oscar D'Ambrosio
 
Poucos objetos estão tão próximos da ideia de confinamento em cômodos como a caixa. A ideia de estar fechado em casa se aproxima do conceito de viver limitado dentro de um espaço, sem opções a não ser olhar para as paredes e refletir sobre nosso papel no mundo. Sem sair para o ambiente externo, o mundo interno é uma guarida, nem sempre agradável.
Marli Takeda construiu assim uma caixa que representa o presente momento de isolamento social. Temos, por exemplo, ali a pintura em tinta acrílica sobre tela de uma rede, alusão à possibilidade de descanso e relaxamento, além de valorização da capacidade artesanal de construir o próprio destino, já que cada uma delas é feita com entrelaçamentos de fibra e fios e acabamento em crochê.
Sobre a rede está um daruma, objeto associado a Bodhidharma, monge da Índia fundador do Zen Budismo na China. Acredita-se que ele tenha atingido a iluminação após meditar por um período de nove anos no qual permaneceu sem mover ou fechar os olhos, tendo removido as pálpebras para não dormir. A artista mantém essa tradição do daruma.
Quem recebe o objeto vermelho, arredondado, sem braços e pernas, atrofiados pela meditação prolongada, pinta um olho e faz um pedido. Quando é atendido, pinta-se o segundo como agradecimento. Plasticamente, Marli Takeda construiu a sua caixa, fotografou, editou as cores e nos oferece o conjunto como um pedido de participação visual e intelectual.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/1416/arte-em-tempo-de-coronavirus-120

 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Arte em tempo de Coronavírus (160)
(2020)
 Texto Oscar D'Ambrosio

09/05/2020
O que leva um artista a criar? Qual é o motor que praticamente motiva a escrever, desenhar, pintar, esculpir ou realizar alguma atividade expressiva, em que o criador interprete, de alguma maneira, com a técnica que escolher, o mundo? Naturalmente, esse exercício conduz também a um autoconhecimento.
Embora a atividade do artista tenha elementos de solidão, quando se pensa nas ações do ateliê, o atual momento de isolamento social coloca mais um dado, que é o desse confinamento não ser uma escolha pessoal, mas uma imposição devido a uma necessidade maior de saúde pública.
Marli Takeda nos encaminha um de seus trabalhos mais recentes que, de certa maneira, ilustra como o andamento do processo criativo sofre idas e voltas em situações externas de crise. Comenta que inicialmente se voltou para o recorte dos adesivos que recicla, numa atitude mais silenciosa e introspectiva, para depois partir para pinturas menores que crescem.
O vermelho dos fundos e a utilização da nobreza de amarelos e dourados são caminhos para continuar pesquisando. Sua arte, que tem, nas justaposições, sobreposições, transparências e combinações, elementos fundamentais, consiste, por ser motivada por misteriosas razões interiores, uma busca de soluções coloridas. Que elas perdurem no amanhã!
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/1459/arte-em-tempo-de-coronavirus-161

 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Sant
Arte em tempo de Coronavírus (106)
(2020)
Texto Oscar D'Ambrosio

A quarentena e o confinamento criam algumas situações que inicialmente poucos imaginavam. Especificamente para os artistas visuais, por exemplo, existe a questão da aquisição de materiais. E não me refiro apenas à compra em lojas, mas, especificamente em relação às imagens que ilustram este post, à reciclagem de materiais.
Marli Takeda desenvolve a sua poética pela novo uso das sobras de adesivos que retirava em empresas e reaproveitava em seu processo criativo, caracterizado pela presença desses elementos e da pintura. Assim eram construídas diversas áreas em variadas composições espaciais, marcadas pela presença/ausência das cores e dos elementos reutilizados.
Neste período em que não existe a produção desses materiais – e muito menos a utilização desses adesivos em eventos –, a matéria-prima começou a rarear. As cores primárias de que a artista dispunha no ateliê acabaram. A alternativa passou a ser desenvolver maneiras de conseguir os efeitos desejados.
Justaposições, sobreposições, transparências e combinações são o caminho. Marli Takeda consegue assim trabalhar o cromatismo mesmo com as limitações apontadas. Dá, portanto, continuidade a uma pesquisa visual caracterizada pela dedicação. Neste momento, em que a nossa atenção é dividida por tantas notícias, manter o foco já é um considerável desafio.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/1401/arte-em-tempo-de-coronavirus-106


 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site 
Arte em tempo de Coronavírus (54)
(2020)
 Texto Oscar D'Ambrosio

A arte de Marli Takeda se caracteriza pela utilização de formas orgânicas muito antes do coronavírus e da COVID-19. Olhar para os trabalhos da atual série “Flutuações”, que se iniciou no final de 2018, é um exercício de pensar como a arte caminha, no ateliê, ao lado dos grandes acontecimentos.
São mundos que, ora se tocando, ora se afastando, mantém inter-relações, pois o mundo está dentro do artista e o artista está dentro do mundo. A ideia de “flutuar” que Marli pesquisa lida com a ideia da permanência que existe na impermanência, pois permanecer na superfície consiste em se manter à tona pelo entrelaçar de formas e de pensamentos.
Para se manter sobre alguma coisa, é essencial ter um certo equilíbrio interno. E, em situações de crise como atual, essa prática, determinante, inclui um conceito que Marli vem lidando, que é o de felpas (cuja onomatopeia em japonês é fuwa fuwa), que alude justamente aos pelos salientes dos tecidos, ou seja, elementos macios, suaves e acolhedores.
O lugar imaginário que Marli propõe é o das felpas, ou seja um utópico local em que a harmonia possa prosperar. Na realidade distópica em que se vive, a possibilidade de uma utopia sensível e agradável é mais do que uma esperança, é um não-lugar para o qual podemos caminhar unidos, mas flutuando em segurança, como as figuras da artista apontam.
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
https://oscardambrosio.com.br/textos/1334/arte-em-tempo-de-coronavirus-54

 
 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
A poética da adesivagem
(2019)
Texto de Enock Sacramento.


Marli Takeda é uma artista brasileira de origem japonesa, ativa em São Paulo, que utiliza, há anos, no processo de criação de suas pinturas e instalações de parede, películas adesivas descartadas pela indústria gráfica, geralmente resultantes do processo inicial de “acerto de cores” da impressora ou de irregularidade técnica ocorrida durante o processo de impressão de etiquetas e rótulos autocolantes. Estes são apresentados em folhas, com recorte prévio, muitas vezes circular, para facilitar o ato de serem destacados e colados em outra superfície. Esta, por sua vez, pode ser uma embalagem industrial. Atualmente a artista utiliza sobretudo materiais descartados por museus.

O que resta da folha dupla, quando as etiquetas ou rótulos são destacados – e que normalmente seria descartado - é um dos meios utilizados por Marli Takeda na realização de sua obra de inquestionável qualidade plástica e que tem duas vertentes distintas: pinturas sobre tela e instalações de parede.

Nas suas pinturas, que chegam a ter formatos grandes, a artista, que se interessa pelas aparas circulares, as recorta formando anéis levemente irregulares. Estes são entrelaçados, entintados e “carimbados” na superfície branca da tela mediante um processo por ela desenvolvido, que remete à técnica da monotipia, e que envolve a utilização de um rolinho e papéis absorventes para transferência de pigmentos e eliminação de excessos. O conjunto entrelaçado também se presta como máscara no preenchimento das áreas vazias. Assim ela dá origem a uma forma complexa circular, que lembra uma rosácea de uma catedral gótica, com suas luzes e cores celestiais. 

A pintura pode conter apenas uma destas formações ou várias, de tamanhos diversos. Entre elas, restam áreas brancas nas quais a artista desenha grafias que contribuem para a harmonização plástica do conjunto ou as preenche com áreas de cor. O mais surpreendente, todavia, é que estes aparentes arabescos são, quase sempre, grafias do alfabeto japonês hiragana que formam em suas pinturas palavras ou frases tais como “Humanidade” ou “A vida tem a cor que você pinta”, de Mário Bonatti, ou “A esperança é um sonho que caminha”, de Aristóteles, frase esta que integra, gráfica e plasticamente, este notável trabalho por ela criado em 2017 com fundo preto , formas poderosas e cores econômicas. Este procedimento, inédito entre nós, confere à pintura de Marli Takeda um caráter de metalinguagem, ou seja, de linguagem sobre a linguagem, de notável valor cultural. Mas, ainda que não houvesse esta dimensão de riqueza linguística, a pintura de Marli é um fato auspicioso no território dos novos artistas brasileiros por suas formas, cores, ritmos, texturas, conceitos e processos de qualidade.

As instalações de parede utilizam igualmente as sobras das folhas de adesivos, porém a forma de aproveitamento deste material é diferente. Aqui, os anéis resultantes do processo de corte com tesoura nas áreas próximas do círculo vazio resultante da retirada dos adesivos são também entrelaçados. A artista não os pinta. A cor é a original do adesivo. Além destes entrelaçados a artista constrói ainda uma base que completa plasticamente o arranjo e lhe dá melhor consistência. O conjunto é adesivado diretamente na parede.

Marli realizou numerosas instalações desta natureza em diversos locais do Brasil, entre eles as estações Clínicas e São Bento da Companhia do Metropolitano de São Paulo, com a colaboração de outros artistas e de transeuntes, sob sua orientação, e no exterior, como a criada por ela em 2013 na ICC Language Schools, uma escola japonesa que ensina mais de 50 idiomas, inclusive o português, em suas cinco unidades. A instalação foi feita na Unidade de Ginza, uma das principais áreas comerciais da cidade. Agora Marli Takeda volta ao Japão para criar mais duas instalações, desta feita na Unidade Shinjuku da ICC, também em Tokyo, e refazer a instalação de Ginza. Para tanto, parte importante de sua bagagem é constituída por folhas adesivadas, sobras industriais que, se destinadas aos lixões, contribuiriam para aumentar a poluição do meio ambiente devido a seu lento processo de degradação. Em vez disso, estes materiais serão transformados em obras de arte constituídas basicamente por círculos entrelaçados, que lembram fractais aleatórios e que simbolizam a união entre os povos, objetivo favorecido pelo conhecimento de línguas e culturas estrangeiras, missão da instituição que as abrigará.

Enock Sacramento
Membro da Association Internationale des Critiques d’Art, Paris
Texto - Enock Sacramento
Membro da Association Internationale des Critiques d’Art, Paris
Entrelaçamento Cultural
(2018)
Texto Oscar D'Ambrosio
 
Entrelaçamento Cultural
A instalação intitulada Entrelaçamento Cultural, realizada pela artista plástica Marli Takeda na Downtown Doral Charter Elementary School, na Flórida, EUA, traz elementos essenciais do mundo contemporâneo, caracterizado justamente pelo diálogo entre diferentes culturas e nações. Acima de tudo, está a conversa, plena de aproximações, entre a artista plástica e todos aqueles que participaram da instalação, baseada no reaproveitamento de adesivos e na procura de uma conversa equilibrada entre quem propõe a atividade e quem ajuda a realizá-la. É estabelecido assim um processo criativo em que não há dominantes ou dominados, mas sim uma interação criativa em que o resultado é estabelecido na própria atividade do fazer. O maior prazer de todos os que participam está justamente na maneira como se estabelece o intercâmbio de experiências. O reaproveitamento de materiais, a colocação dos adesivos na parede e o contato de jovens com a arte por meio de uma convivência com uma artista constitui um caminhar pelas veredas da existência vivencial e artística inesquecível. E assim são os momentos que valem a pena viver: simples, intensos e, por isso, eternos.


 
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Texto - Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Nossa Senhora de Fátima, mãe de todas as raças
(2017)
 Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB


Unidos não apenas por vínculos históricos, Portugal e Brasil tem o orgulho de serem abençoados pela MÃE DE DEUS. Neste tempo especial de graça, em que comemoramos os 300 anos do achamento da imagem de Nossa Senhora Aparecida e o centenário das Aparições de Maria em Fátima, em ambos os países vem sendo promovidas diversas exposições sobre tal acontecimento.
Coube a diversos artistas, assim como também a exímia artista nipo-brasileira, Marli Takeda, expressar em arte o amor a Maria. Ela que desde criança tem Maria, a santa de Fátima, com a referência do amor e bondade, estando entronizado no quarto da mãe – o que para as crianças vem a constituir num espaço sagrado – o quadro da santa que falava com as crianças. Já Aparecida faz parte de sua cultura paulista, onde encontra-se situado o maior santuário mariano do mundo.
As devoções a Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida são, sem dúvida as expressões de amor mais populares a Maria. O que explica as centenas de milhares de fiéis que visitam seus santuários anualmente e revivem os momentos das aparições e a mensagem da santa.
Em Fátima a virgem sempre dava recomendações aos fiéis para que se convertessem. Os diálogos sempre traziam o tema da paz tão desejada. Mas o que mais chamou atenção foram os chamados três segredos. Neste sentido, a obra de Marli Takeda também guarda alguns enigmas, ligados à sua memória da infância, como o aconchego familiar e à perda do pai.
Seguindo a tradição japonesa da qual faz parte, o quadro de Marli Takeda foi feito na vertical e contém uma inscrição em japonês ao fundo. A representação de Nossa Senhora de Fátima foi feita com as ‘formas entrelaçadas’, com as típicas rosáceas ou coroas da artista. Estas rosáceas nas cores branca e dourada fazem referência direta a Nossa Senhora, simbolizando a nobreza da Rainha do céu, assim como a pureza daquela que não teve mancha e por isso foi chamada pelo anjo como a plena de graça. A cabeça, coroa e a auréola da santa são representadas em única forma circular, destacada em ouro, na tentativa de alcançar o brilho do sol, referêcia à passagem apocalíptica da Virgem vestida de sol (Ap 12). Os três pastorinhos por sua vez, são representados à baixo, por duas rosáceas na cor vermelha, Lúcia e Jacinta e uma na cor azul, Francisco.
Com certeza a devoção a Nossa Senhora de Fátima é a que mais se aproxima de Aparecida. No ano de 2014 foi entronizada uma imagem de Nossa Senhora de Fátima na Basílica de Aparecida. Em contrapartida, em 2015 foi entronizada no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Portugal, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida como parte das comemorações dos jubileus das duas devoções ultramarinas.
Ao ser representada em diversas formas e maneiras e por diferentes artistas, com olhares tão peculiares e íntimos, mais uma vez Maria vem nos dizer que ela é MÃE DE TODAS AS RAÇAS, MÃE DE TODOS OS POVOS.
 
Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo
 
Texto - Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo
Quimono em re-vista
(2016)
Texto - Oscar D’Ambrosio

Vestimenta tradicional utilizada por mulheres, homens e crianças, o quimono, que significa “coisa para vestir” (ki = “vestir” e mono = “coisa”), além de designar longos roupões, é um ícone da cultura japonesa. Com seus diferentes estilos e acessórios, vincula-se a toda uma tradição.
 
Esta exposição traz três conjuntos de pinturas, geradas como continuidade de um trabalho com reaproveitamento de adesivos iniciado em 2011 e mostrado tanto no Brasil como no Japão, e um quimono que pertenceu à avó paterna da artista. O conjunto está inserido no progressivo interesse da artista em se aprofundar nas próprias raízes, num processo de pesquisa que revê e veste a própria história e a de todos, já que, num país miscigenado como o Brasil, há um pouco de Japão em cada um de nós.

Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
A estética da tolerância
(2014)
Texto - Oscar D’Ambrosio

A arte de Marli Takeda tem como um de seus princípios essenciais o reaproveitamento de materiais, principalmente sobras de adesivos. No entanto, limitar o seu trabalho a essa prática traz alguns riscos. O principal é deixar de lado o impacto estético que suas obras atingem.
Existe uma pesquisa constante de cores e formas, além de ecos de toda uma tradição japonesa, principalmente no que diz respeito à busca por soluções formais em que letras, mapas e pensamento podem se articular de maneiras mais ou menos evidentes dependendo da ocasião.
A questão essencial está em não abandonar a pesquisa e estabelecer pontes entre Oriente e Ocidente. Isso gera uma poética em que a diversidade se faz presente na integração entre diferentes culturas e no entendimento de que a complementaridade entre imagem e texto pode vir a ser um caminho dos mais ricos.
Seja nos trabalhos de maiores proporções ou naqueles menores, Marli Takeda oferta ao público um presente visual regido pela densidade do fazer e do pensar. O fascínio está em que essa riqueza se traduz plasticamente em respostas marcadas pelo entusiasmo de viver e pela vivacidade de cores, formas, ritmos e gestos.
 
Oscar D’Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Texto - Oscar D’Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Dragão'
(2013)
Texto - Oscar D’Ambrosio

A instalação ‘Dragão’ é um desenvolvimento de mostra apresentada no Mosteiro de São Bento de São Paulo, em junho de 2013. Agora o ser mitológico expande seu corpo pelos 20 metros da parede da Estação Clínicas do metrô da cidade de São Paulo.O projeto busca criar espaços de aproximação da arte com o público, com a participação na construção do trabalho, utilizando a adesivagem e dentro da fascinação pelos dragões que existe na história da maioria das culturas, pois esse ser fantástico é uma tradição mitológica famosa e amplamente difundida.Os dragões talvez sejam uma das primeiras manifestações culturais ou mito criado pela humanidade, assumem em cada cultura, uma função e uma simbologia diferentes, podendo ser fontes sobrenaturais de sabedoria e força, ou simplesmente feras destruidoras.O dragão reúne diversas característica de outros animas, como o corpo de serpente, o bigode de carpa, garras de águia e chifres de corsa, entre outros atributos.Ao contrário do dragão ocidental, geralmente visto como uma criatura maligna; nas culturas orientais, os dragões são um símbolo de sorte, poder, proteção e riqueza. Têm aparência de uma serpente gigante e não possuem asas, sendo ligados ao lado positivo da humanidade. Nesse sentido, assim como ocorre nas tradições folclóricas do oriente, esta instalação faz o papel do dragão no oriente, a de ligar os homens às divindades celestiais.
 
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e
mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
 
https://www.youtube.com/watch?v=gPAGV_Yf7Ik
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e
mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Theotokos
(2013)
Texto - Oscar D’Ambrosio

A música é uma das artes mais belas por dispensar a palavra. Torna-se assim universal, podendo ser decodificada matematicamente em sinais reconhecíveis. Esta aí uma das razões do seu fascínio. Embora tenha esse alcance coletivo, apresenta características individuais, já que cada voz tem as suas próprias riquezas.As artes plásticas enfrentam o mesmo deliciado e sutil paradoxo. As imagens podem ser absorvidas em qualquer lugar e por qualquer cultura, mas a cada criação há um fazer particular, um toque de humanidade intransferível e poético, uma magia que não se explica, mas se sente.A intervenção da artista plástica Marli Takeda na sala de músicas do Colégio de São Bento de São Paulo consiste numa grande partitura da Ave Maria para canto gregoriano nas quatro paredes da sala. Os espaços das marcações musicais são ocupadas por rosáceas, realizadas com ajuda de alunas do 9º ano do Colégio, feitas em adesivo reciclado.Se as rosáceas evocam os vitrais da Basílica, assim como flores presenteadas à Virgem Maria. Imagens e odores se mesclam na imaginação num exercício de formas e cores que aponta para a divindade da arte: a sua capacidade de interpretar o mundo e transformá-lo para a alegria dos seres humanos.
 
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie
e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie
e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
A imagem ganha som
(2013)
Texto - Oscar D’Ambrosio

As cores e os movimentos sugeridos pelas obras plásticas de Marli Takeda instauram uma espécie de harmonia musical em quem observa os seus trabalhos. A proposta visual que ela gera impede uma relação de indiferença e se caracteriza por um convite a uma complexidade. O grande desafio de quem se detém sobre as suas obras é não se deixar cativar apenas pelos detalhes, mergulhando no conjunto que cada tela oferece. São dois movimentos que se articulam nos processos de composição da artista: um que estimula a ver de perto a construção proposta; outro, mais distante, em que o todo é o essencial. As duas propostas são complementares e se articulam no sentido de permitirem a quem se debruça sobre as pinturas a imersão em novos mundos. Há alusões, por exemplo, ao universo biológico ou das profundidades abissais.
 
Mas isso é o menos importante. A grande questão está no delicado processo do pensar que acompanha o fazer que se vê. Existe em Marli Takeda o erguer progressivo de um procedimento mental em que as criações se articulam numa jornada em que o espontâneo se faz presente, mas é colocado em forma de resultado graças a um progressivo esmero na técnica e num fascinante jogo de cores e gestos que parecem ganhar som a cada novo olhar.
 
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie
e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).
É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie
e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
A Partitura do Jardim
(2012)
Texto - Oscar D’Ambrosio


Intervenção na Estação São Bento do Metrô estimula espiritualidadeReaproveitamento de adesivos homenageia mosteiro e canto gregorianoA intervenção A partitura do Jardim, da artista plástica Marli Takeda, realizada na Estação São Bento do Metrô, de 10 de março a 30 de abril, é uma homenagem ao Mosteiro de São Bento, edifício com mais de 400 anos de história e um dos principais ícones da cidade de São Paulo.Continuidade de um trabalho com reaproveitamento de adesivos já realizado nas Estações Sé e Clínicas, a experiência da artista de trabalhar na parede do metrô é uma extensão da sua proposta desenvolvida em pinturas feitas com a tinta acrílica sobre tela e papel, baseada em materiais e conceitos que valorizam a criatividade.A imagem criada por Marli lida com o canto gregoriano, um dos diferenciais das atividades dos monges do Mosteiro de São Bento, com a estética dos vitrais da igreja local e com os jardins do mosteiro. “Tudo numa atmosfera de estímulo à espiritualidade e à reflexão sobre a própria existência”, acentua Oscar D’Ambrosio, curador da interferência.A intervenção mostra uma partitura de canto gregoriano. São quatro linhas horizontais que acolhem notas musicais formadas por rosáceas, que aludem não só aos vitrais da igreja, mas também às flores, presentes no jardim do Mosteiro. O conjunto de imagens está em duas extensões do Espaço Cultural do Metrô São Bento BTO1 e BTO2, com medidas de 2,40 m x 16,6 m e 2,40 m x 4 m. Serão 18 rosáceas representadas por 9 círculos com diâmetros de 18cm e 12 cm, completando um total de 162 círculos.O trecho da partitura gregoriana representado pela colocação das rosáceas é “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós”, frase da consagrada oração Ave Maria. A instalação evoca assim também o célebre pensamento de Santo Agostinho que cantar é orar duas vezes.“A ideia é criar uma atmosfera de contemplação e reflexão sobre os percursos que escolhemos”, diz Marli. “Assim como nas duas instalações anteriores, os adesivos recortados manualmente exploram o exercício contínuo de lidar com formas e sobreposições.”O elo da instalação entre arte, música e jardins remete à Regra de São Bento. Ele, ao escrever para os seus monges, no século VI, argumenta que os mosteiros da ordem, dentro do princípio ora et labora, oração e trabalho, deviam ser construídos com padaria, horta, queijaria, pomar e oficina. Por considerarem a ociosidade inimiga da alma, os beneditinos deviam ocupar as horas com atividades como a música, a jardinagem e a gastronomia.O Mosteiro – Um dos principais símbolos de São Paulo, o Mosteiro foi construído onde era a taba do cacique Tibiriçá, primeiro índio a ser catequizado pelo padre José de Anchieta. Doado em 1600 pela Câmara de São Paulo aos monges, teve a igreja ampliada no século XVII pelo governador Fernão Dias Paes Leme. Nessa época, quando Amador Bueno é aclamado rei de São Paulo e recusa, sendo ameaçado de morte por aqueles que o escolheram, foram os monges beneditinos acalmaram a população. A construção atual, a quarta desde as origens, é projeto de Richard Berndl, professor da Universidade de Munique e um dos melhores arquitetos da Alemanha. A decoração interna foi feita pelo beneditino belga Dom Edelberto Gressnigt. A Basílica só foi consagrada em 1922, quando foram instalados os sinos e o relógio, considerado o mais preciso de São Paulo.

 
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
PERCURSO, FLEXIBILIDADE E DESENCOBRIMENTO
(2012)
Texto - Oscar D’Ambrosio

EXPOSIÇÃO EM COMEMORAÇÃO AO CENTENÁRIO DA BASÍLICA ABACIAL DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO - MOSTEIRO DE SÃO BENTO DE SÃO PAULO.
A artista Marli Takeda expõe seus trabalhos em comemoração ao centenário da Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção, padroeira do mosteiro de São Bento de São Paulo, local que hospedou o papa Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil em 2007.A exposição reúne 26 pinturas e uma instalação na sala do parlatório, construída com reaproveitamento de adesivos e placas de backlight film. A proposta é colorir a extensão das paredes do corredor do mosteiro com o efeito da luz do sol que penetra pelos vitrais somado à magia e à espiritualidade do ambiente. Os tijolos esculpidos na instalação fazem analogia entre a vida no mosteiro e a resistência da edificação, que dura décadas e séculos. Cada um deles é colocado um a um, de forma cuidadosa, aludindo à soma de conhecimentos e experiência para conseguir uma base sólida. A mostra como um todo traz uma reflexão sobre as escolhas que fazemos vida. Trata-se de uma analogia com o processo de criação dentro do atelier da artista, local de encontro entre pessoas, mundos, oportunidades e técnicas diversas numa aventura que envolve sentimentos de dedicação, amor, carinho, atenção e prazer.
 

Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.

vídeo - https://www.youtube.com/watch?v=ZxsLG4qVBsw
          



 
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Natureza
(2011)
Texto - Oscar D’Ambrosio

NATUREZANatureza invade Estação Clínicas do MetrôIntervenção da artista plástica Marli Takeda trabalha com adesivagemÁrvores adesivadas na parede transformarão o cotidiano da Estação Clínicas do Metrô, na Capital paulista a partir de 10 de dezembro. A artista plástica Marli Takeda ocupará duas paredes uma em frente da outra com aproximadamente 20,00 m de extensão cada, com nove árvores, de 3,50 m cada uma, sendo o espaço entre cada uma de 1,50 m a 2,00 m.“A proposta é fazer o público refletir sobre as diversas possibilidades permitidas pela arte na elaboração de um trabalho artístico, com o reaproveitamento de objetos, no caso adesivos com diâmetros entre 5 cm e 6 cm”, diz a artista. “O projeto tem como finalidade despertar o olhar para a preservação da natureza e as florestas, habitat de muitas espécies endêmicas que fazem parte do nosso bioma tropical”, completa o curador Oscar D’Ambrosio.
 
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
 
Vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=NExhpCuptd0
Texto - Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). E doutor em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
2013-2022  Marli Takeda
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